terça-feira, 21 de março de 2017

"BOI SEQUESTRO"


Nas redes sociais, o assunto  mais comentado em tom de gozação foi sobre a “Operação Carne Fraca”, realizada pela PF, que desbaratou uma quadrilha que atuava dentro de alguns frigoríficos como JBS e BRF e escritórios de advocacias. Pedido de prisão preventiva para fiscais sanitários, gerentes de frigoríficos e servidores públicos da área de fiscalização sanitária foram expedidos.  Uma conversa interceptada pela Polícia Federal, foi apresentada como prova duvidosa, a gravação de uma conversa, na qual que supostamente um gerente autorizaria misturar carne com papelão. Muitas informações ainda continuam sendo apuradas e poderão vir a se tornar públicos de forma bombástica ou discreta. Contudo o estrago já está feito no maior exportador para os 28 países da União Europeia. Depois da “bombástica” divulgação de que existiria até carne sendo triturado junto com papelão, o país perdeu alguns contratos de exportação e outros cancelados, foram revistos.  

A Operação, contorno de gozações nas redes sociais, com muitas publicações de fotos de churrascos de papelão, vídeo com presunto da Sadia com plástico dentro, o ator Tony Ramos veio à publico garantir que não sentia vergonhado de ter feito a campanha divulgando a Carne a vácuo da Frigoi, o Governo chamou embaixadores e ofereceu um churrasco para todos eles em Brasília. Mesmo assim, não conseguiu convencer totalmente os importadores de carne.  No meio de toda a balbúrdia, a gravação em áudio de uma ex-funcionária que diz ter trabalhado 10 anos em Frigorífico, LX, hoje Friboi, do grupo JBS, garante com detalhes que o Brasil sempre consumiu  carne do “Boi Sequestro” como ela chama. O que seria “Boi Sequestro”?

 No áudio a ex-funcionária garante que de 80 a 100 bois morrem  de fome, calor, sede, de raiva por estar seguindo para o abate etc antes de chegar aos frigoríficos para o abate. Esse seria o “Boi Sequestro”, que  mesmo com  1, 2, 3 ou 4 horas e com sangue totalmente podre, seguiria para a inspeção, onde existiria uma pessoa própria só desse boi que morre antes de ser morto.  Desossado, seguiria para um tanque com água quente e corante vermelho e sairia como se fosse carne nova e de boa de qualidade. Depois, partiria para embalagem a vácuo, a selovax  e toda a  carne seria consumida há muito tempo no Brasil, comercializada nos supermercados do país inteiro. Ela mesma diz que já trabalhou com esse “Boi Sequestro”, que já estaria desfigurando e dá uma pista de onde pode ter sido gravado o áudio: “se esse boi chega aqui em Mato Grosso, é consumida aqui mesmo”. E conclui: “os brasileiros sempre consumiram podre porque ela não pode ser exportada”!


Como os novos acontecimentos, sepultam e enterram velhos e importantes acontecimentos em marcha na vida nacional, os eleitores brasileiros tiveram desviado o foco para duas coisas importantíssimas votações na Câmara Federal, que podem mudar o Brasil para melhor ou para pior:  as Reformas Previdenciária e Política!

segunda-feira, 20 de março de 2017

REFORMA OU REMENDO POLÍTICO COM PANO VELHO?



O Brasil tem muito cacique para pouco índio, ou muitos partidos para eleitores pouco esclarecidos e sem quase nenhuma cidadania!.

Com 35 partidos registrados no TSE e mais 34 sendo formados para “mamar” nas tetas do Governo. Se forem todos aprovados e registrados, passarão a receber financiamento público de campanha e direito em espaços em rádios e televisões e terão o direito de continuar praticando novas modalidades de corrupção, iniciada em 1808, com a chegada da família real ao Rio de Janeiro. A reforma política anunciada acontece quando o Procurador Geral da União, Rodrigo Janot,  pede a abertura inquéritos contra políticos envolvidos “Operação Lava Jato”. Os deputados federais se apressam em fazer a Reforma Política, talvez costurada com pano velho e podre para não mudar nada. Tiveram tanto tempo para fazê-la e só agora a decidiram-na. Por que só agora e não antes?

Por trás dessa reforma política anunciada, tudo continuará igual.  O político que mais responde a acusações  e investigações na “Lava Jato”, deputado federal por Roraima, Romero Jucá, disse que não “é feio homem público ser investigado.  Feio será se  for condenado”. Ele, Jucá, anunciou que  apresentará quatro projetos distintos de Reforma Política. Por que só agora e não antes teve a ideia de elaborar quatro projetos e não fez antes? Deve ser para se proteger das acusações que pesam contra ele junto ao Supremo Tribunal Federal. O atual líder do Governo Temer, não é confiável e deixou a chefia da Casa Civil quando surgiu a primeira denúncia contra ele. Agora, são muitas, todas, graves e precisam ser apuradas.

O ex-deputado federal Roberto Jefferson, denunciou que será casuísmo fazer uma reforma política agora e disse que por trás se escondem interesses de blindar deputados pelo uso do Caixa 2, que envolve 26 partidos e muitos políticos. O ex-deputado federal foi cassado, preso e condenado por envolvimento no escândalo do mensalão. Ele só  denunciou o esquema de propinas e pagamentos mensais a parlamentares de vários partidos  que votavam em favor do Governo. Contudo, o parlamentar só denunciou o esquema de compra de votos  por divergências  políticas e pessoais com o então chefe da Casa Civil de Lula, José Dirceu, preso e também condenado no Estado do Paraná pelo “Mensalão” e  por diversas outras acusações  que o ligam à  “Operação Lava Jato”.

Em meio às desconfianças de que os deputados federais estejam querendo aprovar projetos para anistiar os Caixas 2, o presidente Michel Temer dizer que vetará qualquer tentativa de anistia caso seja aprovada   é no mínimo estranha e  duvidosa essa Reforma Política. Também é estranha a atitude dos políticos na Câmara Federal queiram  fazê-la agora, se já tiveram tanto tempo e não a fizeram. Talvez a aprovem, mas será  apenas um remendo em pano velho para que tudo continue como está, permitindo empréstimos de empresas em forma disfarçada de  “doações” legais para partidos políticos  bancarem suas campanhas políticas e, depois,  se tornarem “amigas do rei”  e se banquetearem com dinheiro público, cobrando-o com ágio, juros, corrupções, como se tivessem feito empréstimos aos partidos.

No final, todos pagarão a conta, principalmente se os novos 34 partidos que estão sendo formados no Brasil forem todos aprovados e registrados junto ao TSE!  Enquanto isso  obras que comecem e  nunca terminem em hospitais, médicos pessimamente remunerados, escolas inconclusas e com professores  mal pagos, infraestrutura de rodovias para escoar a produção principalmente de soja, saneamento básico inexistente na maioria das cidades e falta de dinheiro para investir, além de continuar a corrupção. Mudou o Governo do PT para o PMDB, mas continua quase tudo igual como antes.

domingo, 19 de março de 2017

PAULO FRANCIS, SUA MORTE NÃO FOI EM VÃO!


Paulo Francis, colega jornalista, sua morte em Nova York em 4 de fevereiro de 1977,  nos Estados Unidos  não foi em vão!

Se o Governo FHC= Fernando Henrique Cardoso tivesse acreditado quando você denunciou que os bancos da Suíça estavam sendo usados por diretores da Petrobras, como lavanderia e mandados apura-la e não processá-lo exigindo provas, talvez o Brasil não estivesse mergulhado no mar de lama de corrupção, o PT talvez não tivesse ganhado a eleição e tudo estaria  melhorado ou parcialmente resolvido. A corrupção é questão de falta de caráter, de cidadania e não depende de educação ou formação acadêmica. Contudo,  começou  no Brasil  em 1808,  quando Dom João VI deixou a Bahia com a  família e  desembarcou  no Rio de Janeiro,  recebendo de “presente” de um traficante de escravos a melhor casa da cidade, no mais belo terreno na Quinta da Boa Vista.

A partir desse aparente e inocente presente aceito pelo Rei,  todos os governantes a partir de então continuaram aceitando inocentes “presentes” em troca de alguma coisa no Governo. No caso emblemático do presente recebido por Don João VI, foi à maneira que o traficante de escravos encontrou para tornar-se “amigo do rei” e, segundo registra a história, encontrar facilidades no Governo Real e ter seu visto de entrada  na área comum dos confusos e imbricados negócios públicos e privados da época imperial, quando os dois que devem ser sempre separados,  já se confundiam no Brasil Colônia  e o presenteador passou a ganhar muito dinheiro público de impostos!

O “toma lá dá cá” no Império continuou e o traficante de escravos ganhou títulos de nobreza.  Lopes, o traficante, não estava só comum que “senhores de engenheiro, fazendeiros e traficantes de escravos estabeleceram também o mesmo regime do “toma lá da cá” com o rei, que o Brasil praticamente ficou falido”. Contudo, a primeira corrupção para ser amigo do “rei” não começou com o Governo do PT e nem com os “PTrabalhas”.  Durante o processo de deposição contra  a ex-presidente, presentearam- pelas redes sociais  com fazendas no Pará em nome de sua filha, com dinheiro em bancos suíços também etc.  Nada apareceu depois que foi cassada pelos senadores.

Paulo Francis, você foi um dos primeiros a denunciar a diretoria da Petrobras em 1986 no  programa Manhattan Connection e a morrer de depressão em Nova York em 1997,  sem ver o resultado de sua denúncia sendo comprovada. Em nome dos homens de bem do Brasil, peço-lhe desculpas e perdão, jornalista  Paulo Francis. Você estava certo. Apenas morreu de depressão por não ter conseguido pagar os milhões de dólares a que foi condenado pela Justiça porque não revelou sua fonte, mas dignificou a profissão do jornalismo mundial.

Você estava certo e mais do que certo, Paulo Francis.



sábado, 18 de março de 2017

O TESTAMENTO (UMA NOVELA AMAZÔNICA)


Deixo para trás a saudade e alguns hectares de terra. Não bem só isso: deixo também alguns poucos amigos, umas poucas cabeças de bode que teimam em permanecer existindo, uma cabana mal construída que eu chamo de lar e uma terra miserável que nem sei o porquê de existir. Não dá nada. Não produz nada. Deixo também uma mulher que me abandonou. Os filhos vivos. Os filhos mortos. E muitas lembranças. Mais do que isso, nada tenho para deixar.  Até a dignidade eu já perdi.
       


Mas não haverá ninguém para receber a herança que agora deixo.

Inicialmente, desejo apresentar meu existir a vocês, embora não tenha certeza de seja um existir, afinal, viver miseravelmente como eu vivo não é existir. É ser teimoso por natureza!

Chamo-me Juvenal, Juvenal do seu Zé do Bode porque meu pai criava bodes e assim fiquei conhecido, nascido no Nordeste.  Meu pai,  já morreu. Que Deus o tenha ou o diabo que o carregue.

Tenho poucas lembranças do meu pai, porque a morte veio buscá-lo quando eu ainda  era pequeno. Dizem que ele morreu de impaludismo. Confesso que nem sei o que é essa doença que deram o nome de impaludismo. Ela existe mesmo ou é mais um nome inventado?

Lembro-me apenas que durante a II Guerra Mundial, navios atracaram no porto de Fortaleza. Muitos nem se davam a esse trabalho e paravam no meio do mar. Soldados desciam:  “Ou você vai cortar seringa no Amazonas ou vai participar da guerra”, diziam os soldados. Diante dessa “gentil oferta do Governo Vargas” sobraria  alguma outra  opção?

Quando tinha meus seis anos, caminhava seis quilômetros até um poço de água. Era dele, do poço,  que  tirávamos a água para beber, cozinhar, dar aos bodes, tomar banho e para suprir outras necessidades também.

Cresci nessa rotina: apanhar água no poço e ver os bodes morrendo de fome ou de sede. De manhã, tirava leite de cabra para beber. Mas isso era raro. As cabras passavam tanta fome e sede que nem leite davam direito.

Como disse antes, tenho poucas lembranças do meu pai.

Mas sei que ele fez de tudo para que eu tivesse um futuro melhor do ele não pudera ter até morrer de impaludismo. Analfabeto de pai e mãe, dizia que eu tinha que aprender a ler e a escrever. Aprendi um pouco; mas só dá para o gasto. Não tenho medo de dizer que isso que você está lendo foi revisado. O professor disse que tentaria aproveitar minhas idéias e nem sei se ele fez isso mesmo porque, embora tenha frequentado escolas, aprendi a ler muito pouco. Se ele mudou alguma coisa me desculpem, porque é culpa do revisor.

Quando meu pai morreu, lembro apenas que chorei muito e tive que assumir a casa porque eu era o mais velho. Meu pai foi enterrado no quintal mesmo. Colocaram-no dentro de uma rede e depois na cova. Nem caixão fizeram. Minha mãe chorava muito e foi amofinando, amofinando, até que morreu também. Fiquei só no mundo porque todos os meus irmãos morreram, acho da mesma doença do meu pai. Esqueci de dizer que era o terceiro de 15 filhos de meu pai.

Bem, não é verdade que fiquei totalmente só no mundo. Conheci uma garota bonita quando ia buscar água. Maria. Ela se chamava Maria da dona Maroca. Acho esse negócio de nome uma coisa esquisita. Nome não serve para nada. O nome do pai dela eu nunca soube. Sei que ela teve um pai mas nunca o conheci. Aliás, eu já disse o nome da minha mãe? Já morreu mas se chamava Maria também, igual ao nome da Maria que conheci. Ela tinha somente 16 anos e eu 17.

Decidimos nos mudar para o Amazonas. O ano era 1906. Época boa para se produzir o látex. Não fui para guerra, mas fui produzir látex para o Exército.
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Depois de quase um ano de viagem chegamos,  eu e a Maria. No Amazonas e  casamos ou nos amigamos não sei. Só sei que passamos a viver juntos. Tivemos cinco filhos. Eu queria ter dez como meu pai, mas Maria dizia: "quer que vivam na mesma miséria que você viveu? É isso que você quer para nossos filhos?" Dois morreram logo depois do nascimento. Fiz mais dois e continuei com cinco.

Só vim conhecer um padre depois dos meus 20 anos, quando casei com Maria. Era assim: um filho morria e a gente fazia logo outro. Lembro que meu pai dizia: filho, onde come um comem dez. Mas não concordo mais com isso. Continuo porque embora trabalhe muito no corte de seringa, continuo miserável.

Aportei em Manaus sem dinheiro e com dívidas.

Procurei trabalho. Só tinha nos seringais. Estou agora com 21 anos, um de casado e já pareço velho. O seu Richard, um inglês, pagou todas as nossas despesas de viagem. Dizem que em Manaus vou melhorar de vida. Os homens andam bem vestidos, com terno de linho branco e chapéu na cabeça. Falam coisas estranhas. É uma língua que não entendo. Acho que é francês ou inglês, ou alemão não sei ao certo. Acho que é tudo junto e misturado.

Decidi enfrentar a vida e aceitar o emprego oferecido pelo senhor Richard, no seringal dele. Na hora do embarque, Maria chorou. Meus filhos também. “Vou voltar logo”, gritei, mas acho que ninguém me ouviu devido ao barulho do motor.

Navegamos vários dias. Paramos em um lugar isolado. Tudo era selva. Fiquei espantado ao saber que a maioria era do Ceará. Tinham vindo como “Soldados da Borracha”. Muitos, acreditaram nas promessas do Governo Federal. Eu não! Só acreditei no emprego do senhor Richard.

Tinha-se que caminhar para dentro da selva. Cortar pés de seringueira. Chovia muito no meio da selva. Trazíamos toda a produção para a margem do rio. O motor passava recolhendo tudo.
Passei seis anos no seringal. Muitos morreram. Nunca recebi o suficiente. Trabalhava mais de 18 horas por dia. Durante esse tempo, vi minha mulher, a minha Maria e meus filhos apenas uma vez.

Ela estava morando na casa do seu Richard e parecia bem. Estava forte e corada. Seu Richard não deixou Maria ficar comigo, deitar comigo. Disse-me que ela estava indisposta. Trabalhava muito. Seu Richard prometeu que eu a veria antes de voltar para o seringal. Não cumpriu a promessa e eu voltei.

Nem me deu um abraço. A vi de longe, apenas. Mas notei que ao lado dela tinha um menino louro. Acho que era colega dos meus filhos. Pareciam todos bem, mas estranhos.

Abandonei o seringal. Voltei para Manaus em 1912. Nesse período, não ganhei nada. Continuo devendo. A cidade, antes bonita e alegre, estava abandonada. Seu Richard tinha ido embora. Encontrei minha Maria. Ela estava morando em uma barraca imunda, no bairro dos Remédios. Culpavam os malasianos pela nossa crise.

Como iria sustentar a nossa família? A cidade, antes bem desenvolvida, estava falida!

Tentei voltar para o seringal. Não deixaram. Diziam que a borracha não tinha mais compradores.  Henry Vicham havia roubado nossas seringueiras. Tudo foi parar na Malásia. Não sei se isso é verdade. Sei que agora sou chamado de arigó, só porque sou nordestino. Não é verdade. Sou um trabalhador e fui abandonado.

Os navios sumiram do porto. As ruas ficaram desertas. Só se vê nordestinos pela rua, perambulando. Fiquei sabendo que a minha Maria não era mais a mesma. O menino lourinho que eu vira era filho dela com o seu Richard.

Tentei me matar. Enfiei uma faca no peito. Levaram-se para o Hospital. Não tinha médico e nem remédio. Comia um dia e o outro não. Chegou o ano de 1942. O mundo estava novamente em guerra e afundaram um navio nosso: 657 pessoas morreram. Tenho certeza que havia cearenses entre os mortos.

Não me deixaram lutar.

Voltei aos seringais. Os japoneses tinham invadido os seringais no Oriente. Eu não sabia que existia isso. Fui  contratado por uma Companhia de Desenvolvimento da Borracha. O dinheiro voltou a aparecer; os navios,  reapareceram.

Maria continua morando em Manaus. Meus filhos vieram comigo para o seringal, só não o lourinho que era filho de seu Richard e não meu.

Hoje chegou navio. Soube que o Ceará continua seco e miserável.

Companheiros meus voltaram. Outros chegaram para cortar seringueiras. Eram os soldados da borracha. Pouco depois, a produção fracassou novamente. Uns gringos brancos vieram comandar os trabalhos nos seringais. Soube depois que eram americanos e que vieram como mandantes, mas não entendiam nada de produção em floresta.

Um tal de doutor Figueiredo Rodrigues que era inspetor de saúde no porto de Manaus se deu ao trabalho de contar os mortos por impaludismo. Manaus  tinha crescido muito, mas continuava pobre. Não havia farmácias  ou médicos na capital e o interior estava abandonado.

Tinha um juiz que cuidava dos pobres.

Fui procurar Maria. Desejava saber notícias dela. Encontrei-a com um homem de cabelos loiros. Já tinha outros filhos. Desejava levá-la para o Nordeste. Mas cada filho era de uma cor diferente. Dos cinco filhos que tive com Maria, quatro morreram no seringal. Só ficou, o mais velho. Até o Richard, nome da criança loira que eu vi quando voltava para o seringal, havia morrido também. Tinha encontrado de novo minha Maria. Não em um poço, mas nas ruas de Manaus.  Ela não era mais a mesma!

Decidi voltar para o Nordeste, sem nada também.

A idade não me permite grandes sonhos. Foi uma viagem mais miserável, ainda. Redes por todos os lados. Depois, estrada de chão batido. Homens jovens, crianças, mulheres jovens dividiam o ônibus caindo aos pedaços. Era o melhor e era o que o meu dinheiro podia pagar.

Eram todos nordestinos como eu, regressando do inferno.  A chata de rodas estava cheia de desiludidos e arrependidos. Antes eu era um migrante desiludido com a terra seca. Agora, estava desiludido com a terra, a vida e com Maria. Comi o pão que o diabo amassou. Agora volto para o começo.

Uma chuva forte alcançou a chata. O vento era forte. Muitas pessoas choravam. Morrer não deveria ser tão ruim assim.
Felizmente a tempestade passou. Pensei em Maria. Como ela teve coragem de me deixar assim? Maria foi ingrata. A vida era ingrata. Fugi da seca. Estou mais velho agora, voltando. Não matei nem roubei..
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Enfim, cheguei. O lugar parece o mesmo, miserável como antes. Não há água, floresta ou bichos, mas homens estranhos.

Esse é meu testamento: não deixo nada para ninguém. Você não quer o meu herdeiro?

quinta-feira, 16 de março de 2017

MUSTANG (romance de um fato real) em PDF E-BOOK


SINOPSE DA OBRA ESCRITA EM 2002.

Conta a história real do empresário JONAS MARTINS LOPES, falecido no dia, 21 de dezembro de 1975, em um domingo e o que ocorreu com sua família depois da morte do patriarca e com os dois filhos adolescentes Jonas Filho, Patrícia Gutierrez Lopes e  a viúva Maria Amélia, no RJ.  JONAS era dono de indústria, do HOTEL MARTINLOPES, que rivalizava com o Hotel Amazonas, na pacata cidade de Manaus de 280 mil habitantes.  A cidade praticamente parou para receber o corpo do empresário no Porto de Manaus. Políticos como o governador João Walter de Andrade e o prefeito Jorge Teixeira de Oliveira, foram receber o corpo de Jonas Martins Lopes, além de médicos e da polícia queriam saber tudo o que tinha e como tinha acontecido o afogamento dele na pescaria.

Depois da morte, começou uma disputa pela herança de tudo dentro da família e a sua esposa e os filhos adolescentes Jonas Filho e Patrícia Gutierrez Lopes perderem tudo em Manaus e decidiram morar no Rio de Janeiro, Para sustentar os filhos adolescentes, Joninhas com 17 e Patrícia com 9 anos, a mãe virou costureira.

Jonas Filho nasceu na cidade de São Luiz, no dia 17 de junho de 1958 e aos quatro meses de idade passou a residir em Manaus com sua família. No RJ, fez e passou no vestibular para direito para direito para tentar lutar pelos bens da família. Contudo, como tinha boa voz, fez o feste em uma rádio e decidiu mudar de curso e se formou em Comunicação Social, hoje se dedica à programas de Rádio e TV, no Maranhão.  

MUSTANG conta a historia do que ocorreu com os descendentes de uma das famílias mais ricas de Manaus na década de 70, depois da morte do patriarca JONAS MARTINS LOPES.  Ele faleceu em 75 pescando. Jonas Filho se recorda de ter recebido condolências pela morte do pai, do governador do Estado e do prefeito de Manaus; do empresário e amigo do falecido Ézio Ferreira da Silva; do fundador da Rádio Difusora do Amazonas,  Josué Claudio de Souza;  de jogadores do FAST CLUBE, que presidira nos anos de 70/71, os irmãos Piola e, ainda, de Casemiro, Pompeu. Na época do falecimento do empresário, o FAST CLUB já era presidido por Manoel do Carmo Chaves, o “Maneca”.

Também recorda ter recebido condolências dos amigos de corrida de MUSTANG pelas ruas de Manaus: Henrique Loureiro, Carlinhos Oliva, César Cegonha, Higino Xíxaro, Claudio Castro, Emílio Gurgel, Renato Harb, Luiz Carlos Perasa, Fernando Alfredo Pequeno Franco, Vital Ramalhosa, Juscilande Rossetti, Aramis Mafra Castelo Branco, Homero, Lacerda, Evandro Eugênio Lauria de Normando, Waldemar Moraes e Pedro Marques de Souza e muitos outros.


MUSTANG Primeiro livro Romance do Escritor amazonense  CARLOS COSTA, lançamento exclusivo da  Editora Virtual TODAS AS LE...
TODASASLETRAS.COM


quarta-feira, 15 de março de 2017

ODEBRECHT X CORRUPÇÃO


Talvez o engenheiro e empresário catarinense, descendente de alemão Emílio Alves Odebrech, pioneiro do concreto armado no Brasil, falecido em 1962, nunca tenha imaginado que a empresa que fundara na Bahia, em 1923, depois de ter deixado seu emprego na empresa Isaac Gondim & Odebrecht, se envolveria no maior escândalo de corrupção do Brasil e da América Latina e que seus herdeiros continuariam praticando-a por mais de 80 anos dentro de governos dos países em que atuava como garantiu empresário Emílio Odebrechet ao ponto de prejudicar politicamente vários políticos. Durante o Governo Militar, quando os Batalhões de Engenharia e Construção do Brasil – BECs, comandado por militares, algumas empresas também começaram a ser contratadas. Andrade Gutierrez, Codrasa, Queiroz Galvão e diversas outras também começaram a criar seus impérios. Algumas dessas desapareceram e surgiram outras, mas não estou afirmando que cresceram com a mesma prática da Odebrecht.
Emilio Odebrechet, presidente do Grupo Odebrecht, ao defender o filho Marcelo Odebrecht, preso e cumprindo pena por determinação da Justiça Federal, confessou que a empresa sempre pagou propinas para todos os governos nos países em que atuava, em troca de contratos. A empresa foi obrigada a montar um departamento estruturado de contabilidade só para parar propinas, pratica negada no início das investigações da Lava Jato, até que fora presa a contadora do departamento e com ela foram apreendidas anotações com codinomes para os quais deveriam ser repassados os dinheiros lícitos e ilícitos para abastecer os Caixa 2 dos partidos. Depois das robustas provas apreendidas com a contadora, que revelou como funcionava todo o esquema a empresa decidiu colaborar com as investigações. A Operação Lava Jato foi iniciada em Brasília há 3 anos, com a prisão do doleiro Alberto Yousseff. Através de delações premiadas de executivos da empresa, o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, apresentou 78 denúncias contra políticos de diversos partidos ao Ministério Público, titular da ação a partir de agora, dos quais seis são ministros do presidente atual Michel Temer. Eles possuem foro privilegiado para serem investigados, mas se forem condenados, serão exonerados do cargo. “Ou se dava para todos os partidos ou não se dava para ninguém”, disse EmÍlio Odebrchet, o presidente do Grupo Odebrecht, durante o depoimento a favor do filho preso e condenado.
No início, a perseguição era só contra o PT. Chamavam de PTrabalhas todos os que simpatizavam com os ideais sociais que defendia o partido. Não votei no PT, mas admito a coragem que a ex-presidente Dilma Rousseff antes de ser retirada do cargo, assinou a lei de delações premiadas e de leniência para as empresas, altruísta e necessária para o Brasil ser passado a limpo como exigem os eleitores de bem do país, que não aguentam mais custear a corrupção pública e com tantos e pesados impostos. .“Ou se dava para todos os partidos ou não se dava para ninguém”. No caso das delações premiadas homologadas pelo STF, ninguém escapou. Todos os partidos com maior ou menor frequência de doações, estão envolvidos nas delações.
A corrupção está corroendo o Brasil de dentro para fora e não duvido se do atual caos moral e ético, vir nascer uma nova ordem política, onde todos tenham seu espaço e o eleitor seja respeitado como nunca foi!

terça-feira, 14 de março de 2017

O PASSADO E AS LEMBRANÇAS. (Brota Junior/Chico da Silva)


(https://www.youtube.com/watch?v=IwIG28PH4JM)


Não foi só o couro do pandeiro, da viola e a orquestra que o acompanhavam no auge dos sucessos que fazia no Brasil, o sambista de Parintins/AM Chico da Silva, que mudaram. Principalmente na política e nos valores sociais e morais da sociedade, tudo também mudou. É... Tudo mudou! No embalo das mudanças e inversões de valores, bandido já processa polícia alegando maus tratos, ladrão processa quem defendeu seu patrimônio em MG, alegando que foi maltratado etc. O que mais mudou, foram os políticos, na  arte de mentira,  jurar inocência,  dizer que não fez nada e isso plastificou sua cara de pau dos corruptos e de seus advogados de defesa, cumprindo o dever de defende-los, anunciam que provarão a inocência de seus clientes,  “Tudo mudou”, Chico da Silva, em todos os campos da vida humana e social: o que era certo virou errado, o que era ético, virou imoral o que era moral, passou a ser o burrice.


O idioma, também mudou para pior em todos os aspectos e “cadê meu capricho?” O capricho nas belas composições, está desaparecendo. A educação  também mudou para pior, primando pela quantidade  e não pela qualidade de alunos que entrega ao mercado de trabalho aos montes todos os anos.  O mercado de trabalho  ficou mais rígido e seleciona sempre os melhores. Ele também está em crise recessiva por uma gravidez de nove meses. As faculdades, principalmente as particulares, distribuem quilos de diplomas para “Bacharéis analfabetizados” de terceiro grau sem saber escrever um ditado sem erros. O ensino também grita “cadê” minha língua portuguesa, a bela “Flor do Lácio” que inspirou escritores, poetas e compositores. No Brasil, ainda hoje, todos se orgulham da talentosa compositora Chiquinha Gonzaga, registrando de forma magistral na sua “Lua Branca”, um hino à beleza e uma aula de composição! Agora, a mistura de “tu” com “você” tornou conta das novas composições, principalmente nas das músicas sertanejadas. Elas estão ficando cada vez piores apesar de a música sertaneja já ter recebido outras derivações, como a de “sertanejo universitário”.


“Depois que as gravadoras optaram pelo corpo e a bunda passou a  gravar e fazer sucesso, só falta alguém puxar a descarga para esvaziar o vaso sanitário”, garantiu o polêmico ex-apresentador e TV e deputado federal Clodovil Hermandez quando lhe perguntaram qual a opinião dele  sobre a atual safra da MPB, Ah, como tenho saudades da “Lua Branca”  brilhando no céu, de  “Canteiros”, da poetisa portuguesa Flor Bela Espanca,  pseudônimo da poetisa portuguesa Florbela D”Alma Conceição Espanca,  morreu cedo, mas deixou uma obra poética fantástica para quem gosta de uma boa leitura e  de ouvir uma música melódica, embora sem versos, como também fazia o compositor Renato Russo, da Banda Legião Urbana e depois em carreira sola. Também da música “Poema de Amor”,  do maestro do santantareno, Wilson Fonseca. Do presente, poucas, possuem qualidades em letras e músicas, mas viram sucessos imediatos, mas não  ficam na memória musical dos que gostam de qualidade. Sinto falta e  saudades dos Festivais de Música, de, J. Silvestre, de Araci Cardoso e Pedro de Lara. Mas “tudo mudou”. “Só Deus desse mundo não mudou e o mundo de Deus ainda está no mesmo lugar”!


Ah! Sinto saudades dos tempos quando a não virgem não era convidada para festas de 15 anos de moças virgens, das brincadeiras de futebol, das bolinhas de gude que amarradas na camisa, da brincadeira do bate-fica acrescida da brincadeira “dos vera/dos brinca”,  da barra-bandeira, do esconde-esconde, da pata sega, da barra bandeira, matines de cinemas...! Mas o tempo é cruel e não volta, não para,  não pode ser rebobinado e só anda para frente. Ah, “a ciência aniquila nosso talento, mas o artista não sofre com esse advento”. Tantos os valores mudaram, uns para melhor; outros, para pior!  Resta-me, concluir essa a crônica com um “Pensamento do Dia”, compartilhado pelo leitor Brota Junior e por mim em seguida, no Facebook; “no tempo do meu avô, o sonho dele era casar com uma mulher virgem. No do meu pai, com uma que nunca tivesse beijado. Hoje em dia, se não tiver vazado um vídeo já está bom. E na época do meu filho, se homem puder casar com uma mulher, vai ser bom demais...portanto, comemore o Dia da Mulher...enquanto tem”.  



 Simples, o “Pensamento do Dia” esconde muitas verdades!